120 anos de presença salesiana em terras mato-grossenses. Celebrar tal evento constitui um marco em nossa história. É saber olhar o importante significado dessa data no momento histórico em que a Família Salesiana, a Congregação salesiana e a Inspetoria de Campo Grande estão vivendo, ou seja, o bicentenário do nascimento do nosso Pai e Fundador São João Bosco (2015), a aplicação das deliberações do Capítulo Geral 27º e da Visita Extraordinária que o representante do Reitor Mor Pe. Natale Vitali acaba de realizar em nossa Inspetoria. São sinais da presença de Deus que nos dão pistas para caminhar seguros hoje em direção a um futuro promissor. Do mesmo modo, em âmbito de Igreja vivemos um tempo de renovação, de mudança de mentalidade, de sinais de vida significativos e de grande esperança que o Papa Francisco está imprimindo em todas as comunidades eclesiais, no coração dos cristãos e das pessoas de boa vontade. Tudo isso nos convida a celebrar, a festejar e dar glórias a Deus!

       Tudo começou com Dom Bosco que a partir da segunda metade do século XIX fundou um vasto movimento de pessoas entre as quais a Congregação Salesiana, as Filhas de Maria Auxiliadora e os salesianos Cooperadores que de várias maneiras dedicam suas vidas na salvação da juventude. Assim em 1875 enviando para a América do Sul o primeiro grupo de seus missionários para a evangelização da Patagônia na Argentina Dom Bosco transplantou o carisma salesiano, seu jeito de educar e evangelizar com o Sistema Preventivo, para o Novo mundo. Em 1883 é o início da presença salesiana no Brasil.

       A pedido do bispo de Cuiabá Dom Carlos D’Amour, no dia 18 de junho de 1894 desembarca na capital mato-grossense o primeiro grupo de salesianos sob a chefia do Bispo Dom Luís Lasagna. Eram cinco jovens missionários que logo iniciaram suas atividades na Paróquia de São Gonçalo do Porto. No ano seguinte com as recém-chegadas Filhas de Maria Auxiliadora já assumem o trabalho junto ao povo Bororo, às margens do Rio São Lourenço na Colônia Teresa Cristina/MT. No final de 1894 em novo terreno, começam o trabalho educativo fundando o Colégio São Gonçalo em Cuiabá.

      A seguir ao longo destes 120 anos a obra salesiana em Mato Grosso foi se expandindo cada vez mais nas várias vertentes da ação educativo-pastoral dos filhos de São João Bosco: Missões indígenas, Casas de Formação, Colégios, Escolas Profissionais, Internatos, Escolas Agrícolas, Oratórios festivos, Paróquias e recentemente Faculdades, Universidade e Centros Universitários, Obras Sociais e Centros de Formação Profissional.

Fatos significativas deixaram marcas indeléveis nessa trajetória histórica:

1. A comemoração dos 25 anos (1919), 50 anos (1944) e 100 anos 1994 de nossa presença nestas abençoadas terras mato-grossenses.

2. A expansão do carisma salesiano em outras cidades deste Centro Oeste: Corumbá, Campo Grande, Três Lagoas, Dourados, Ponta-Porã, Maracaju, no leste do Mato Grasso na região do Araguaia e Rio das Mortes; Goiânia e Silvânia em Goiás; Araçatuba, Lins, Lucélia e Tupã no oeste do Estado de São Paulo.

3. A propagação da devoção a Nossa Senhora Auxiliadora, a Mãe e Mestra de Dom Bosco em todas as nossas presenças e através de centros marianos significativos como o Santuário de Cuiabá e Corumbá e outras igrejas e capelas a Ela dedicadas.

4. A criação de centros significativos em prol da cultura e da ciência: o Observatório Meteorológico Dom Bosco em Cuiabá e nas várias presenças salesianas; o Museu Regional, hoje Museu das Culturas Dom Bosco; o Centro de Documentão Indígena na universidade Católica Dom Bosco; o Centro Cultural Bororo Pe. Rodolfo Lunkenbein da Missão de Meruri; o Centro Cultural Xavante da Missão de Sangradouro.

5. Atividades de promoção e auxílio aos mais necessitados entre as quais se destaca o Projeto AMA com os vários serviços prestados principalmente na área das missões.
6. Produções científicas fruto de paciente pesquisa etnográfica de eminentes salesianos da nossa inspetoria: o livro Orarimugudoge-Bororos orientais; a Enciclopédia Bororo, o livro Xavante Povo autêntico; numerosos artigos, livros, sobre os povos Bororo e Xavante; produções educativas para o trabalho educativo entre os povos Bororo e Xavante.

Grandes salesianos deram suas vidas na construção do patrimônio moral, educativo-pastoral e evangelizador nas várias atividades e presenças cujos frutos se espalham pela nossa região através dos inumeráveis ex-alunos, amigos e admiradores da Obra Salesiana. Não faltaram também aqueles que tiveram a coragem de, além do suor, derramar seu sangue testemunhando com a vida em morte violenta seu amor a Cristo, ao Evangelho e aos mais necessitados: Pe. José Thannuber assassinado em Palmeiras/MT em 1920; Pe. João Fuchs e Pe. Pedro Sacilotti massacrados no Rio das Mortes em 1934; Pe. Rodolfo Lunkenbein assassinado em Meruri em 1976.

Muitos missionários salesianos percorreram o leste, o centro e o sul do antigo Estado de Mato Grosso, implantando a Igreja através de um paciente e fadigoso trabalho evangelizador de modo que podemos dizer sem falsa modéstia que a Igreja mato-grossense foi plantada e cultivada pelos Filhos de São João Bosco.

Nós todos, salesianos que mourejamos na vinha do Senhor e demais membros da Família salesiana, demos graças a Deus! Louvemos seu amor misericordioso e sua presença constante nestes 120 anos de histórica presença: olhando o passado, vivendo com entusiasmo o presente e projetando-nos para o futuro. Sempre com Dom Bosco e sob a materna intercessão da Virgem Auxiliadora!

Pe. João Bosco Monteiro Maciel